Enquanto escolhe, descarrega e fotografa mudas de petúnias, rosas do deserto e cactos, Jaderson Ian Rodrigues, negocia com fornecedores e clientes com a desenvoltura de quem está nos negócios há muito tempo. No entanto, o rapaz tem apenas 15 anos e tudo começou há menos de um ano e meio, durante a pandemia da Covid-19.
Morador do conjunto Monte Verde, na periferia da Zona Norte de Teresina, Ian viu a dificuldade do pai e da mãe, na época desempregados, e decidiu ajudar de alguma forma.
No começo, o pai foi contra e a mãe, que hoje é o braço direito do filho no empreendimento, não estava muito confiante, mas deu apoio.
“O pai dele achava que ele não precisava fazer isso, porque tinha pai e mãe, não tinha que trabalhar. E eu tinha muito medo dele se decepcionar, das plantinhas morrerem, do negócio não dar certo. Mas ele é muito visionário, foi estudar, pesquisou muito, sempre está vendo uma forma de melhorar e Graças a Deus está dando muito certo”, disse.
Ian decidiu começar a vender mudas de plantas e flores quando a mãe quis montar um jardim de inverno em casa. Ele já tinha alguns amigos no ramo e viu nas flores a possibilidade de ajudar a família, além de pessoas que estavam passando por um momento difícil na pandemia.
Ele não começou às cegas. Ian procurou diversos cursos online, sobre o cultivo e plantio das mais diversas espécies e, também, sobre vendas e marketing digital. Ele conta que hoje tem três grupos no WhatsApp, cada um com cerca de 200 pessoas, onde todos os dias divulga as novidades que chegam ao seu viveiro.
Contudo, ele lembra que começou vendendo de porta em porta, nas casas de vizinhos, e depois na entrada de supermercados.
"Eu não conseguia muito dinheiro, mas eu insisti. Todos os dias eu estava lá, porque queria fazer dar certo. Até que eu consegui conquistar meus clientes e hoje faço muitas vendas online e para pessoas que já me conhecem e conhecem meu trabalho", explica.
Todos os dias, os grupos crescem. Segundo ele, a grande procura aconteceu porque o cuidado com árvores frutíferas, avencas de dezenas de cores e hortaliças para hortas caseiras se tornou uma saída para a solidão imposta pela pandemia. Em todo o Brasil, a estimativa é de que o setor tenha crescido cerca de 10% em 2020.
Para o fornecedor de mudas José Carlos dos Santos Meira, a capital piauiense teve um aumento de pelo menos 20% no consumo desde o início de 2020. Toda semana, ele percorre mais de 2,5 mil quilômetros para trazer um caminhão carregado de plantas para o Nordeste do país, com mudas diretamente de Holambra, interior de São Paulo.
“Aumentou muito a procura, as pessoas encontraram nas plantas uma forma de ocupar a mente, de se distrair, de cuidar da casa, do lugar onde estavam passando o tempo. Em Teresina a procura aumentou demais. Eu venho para cá toda quinta com o caminhão carregado, mas tem pelo menos outros cinco caminhões aqui toda semana”, destacou.
Além das plantas que são trazidas de fora, muitos vendedores cultivam suas próprias mudas na capital. Há ainda aqueles consumidores finais que plantam em suas próprias residências.
É o caso do químico César Augusto. Ele conta que montou um grande jardim em sua casa, que aumentou ainda mais na pandemia.
“A gente sempre criou. Sou casado com uma bióloga e sempre gostamos. Mas agora na pandemia com certeza isso ficou mais intenso. Gostamos demais, somos apaixonados. Até aumentei um pedaço da área lá de casa para crescer ainda mais o jardim”, disse ele.
Por semana, Ian estima que vende cerca de 500 mudas. Os valores variam bastante. Há flores que custam a partir de R$ 5 a muda e plantas que podem valer até 100 vezes esse valor. Para Ian, as plantas foram a forma que ele encontrou de ajudar financeiramente a família, mas também de ajudar outras pessoas.





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