RSS
  Whatsapp

Empresa aciona polícia e Justiça contra Trabulo Neto

R$ 500 milhões; investigado por contrato ilegal empresa aciona polícia e Justiça

 Trabulo Neto: boca no trombone

Investigada por contrato de R$ 500 milhões sem licitação, empresa de telemedicina aciona a polícia e Justiça proíbe jornalista de chegar perto da sua sede

 

Trabulo Neto investigava a Integra Saúde Digital quando a empresa registrou ocorrência contra ele. Um mês depois, veio a decisão: 300 metros de distância, contato proibido com funcionários e ameaça expressa de prisão preventiva se descumprir. Tudo em procedimento sigiloso, no mesmo mês em que a série de reportagens estava no ar. 

A ordem judicial é dura e o recado, explícito: se o jornalista José Jesus Trabulo de Sousa Neto, o Trabulo Neto, do portal independente Rádio Calçada, se aproximar a menos de 300 metros da sede da Integra Saúde Digital, em Teresina, pode ser preso preventivamente. A advertência consta de decisão da Central de Inquéritos de Teresina, Procedimentos Sigilosos, do Tribunal de Justiça do Piauí, no processo 0822977-35.2026.8.18.0140, cautelar inominada criminal com o assunto violação de domicilio.

O detalhe que muda tudo: a empresa que registrou a ocorrêcia policial contra o jornalista é exatamente a empresa que ele investigava. E não por pouca coisa. A Integra Saúde Digital Telemedicina Ltda detém contrato com a Secretaria de Estado da Saúde do Piaui (SESAPI) firmado por inexigibilidade de licitação, ou seja, sem disputa com concorrentes, que saiu de R$ 180.088.627,00 iniciais para cerca de R$ 500 milhões.

 

Meio bilhão de reais em dinheiro público, sem licitação. E o jornalista que fazia perguntas sobre esse contrato está hoje proibido de chegar perto da empresa, sob ameaça de cadeia.

O procedimento nasceu do boletim de ocorrência 80195/2026, registrado por fatos ocorridos na sede da empresa, na Rua Walfran Batista, no 19, bairro São João, em Teresina. Os pedidos partiram da autoridade policial, tiveram parecer do Ministério Público do Estado do Piaui e foram deferidos com base no art. 319 do Código de Processo Penal. Além do perimetro de 300 metros, o jornalista está proibido de qualquer contato com colaboradores da empresa: nada de telefone, mensagem, rede social ou recado por terceiros. Os nomes das duas pessoas apontadas como vítimas são preservados por se tratar de procedimento sigiloso.

A cronologia que ninguém explica: cautelar deferida no mesmo mês da série de reportagens

As datas falam por si. A petição inicial foi protocolada em abril de 2026. O mandado de intimação foi assinado em 30 de abril de 2026. E o que a Rádio Calçada publicava exatamente em abril de 2026? A série de reportagens sobre o contrato de telemedicina da SESAPI com a Integra Saúde Digital, incluindo um achado explosivo: os atestados de capacidade técnica apresentados no processo de contratação pertencem a pessoa jurrídica distinta da contratada. 

Trabulo Neto afirma que sua presença no endereço da empresa teve finalidade exclusivamente jornalística: apurar os fatos e buscar o posicionamento da contratada, o básico do contraditório. Ele nega qualquer violação de domicilio e vai apresentar sua versão nos autos.  Trabulo Neto é jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Emprego sob o número 0002880/PI (Cadastro de Registro Profissional, processo 47979.286756/2026-90).

 

Aparato penal contra quem apura: o fantasma do assédio judicial

O caso se encaixa num padrão que entidades de imprensa e o próprio Poder Judiciário já reconhecem e combatem: o assédio judicial contra jornalistas, o uso de processos como arma de intimidação. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal firmou tese vinculante sobre a responsabilidade civil de quem processa jornalistas para calar o trabalho de apuração (ADI 6792 e ADPF 1075). A pergunta que fica no ar: "uma empresa com meio bilhão em contratos públicos, investigada pela imprensa, aciona a policia contra o repórter, e isso não merece escrutínio?"

A Rádio Calçada afirma que a decisão judicial será integralmente cumprida enquanto vigorar e que não questiona a autoridade do juízo. O que o portal questiona, e diz que continuará questionando, é o contexto em que o aparato penal foi acionado. A defesa do jornalista adotará as medidas cabiveis nos autos.

 

A investigação não parou 

Nenhuma medida cautelar suspende o dever de apurar. Segundo a Rádio Calçada, seguem ativas todas as linhas de investigação sobre a contratada, baseadas em documentos públicos: o fundamento da inexigibilidade para um serviço disponível em mercado competitivo; os atestados técnicos de pessoa jurídica distinta; a vedação contratual de subcontratação diante do modelo operacional descrito em documentos públicos; o empenho de R$ 9.997.290,00 emitido em 06 de julho de 2026, quase R$ 10 milhões pagos dias atrás; e o procedimento preparatório do Ministério Público do Estado do Piauí (SIMP 003245-426/2025, 34 da Promotoria de Justiça de Teresina) sobre a contratação.

www.trabuloneto.com.br

 

Por: Rádio Calçada

Mais de Blog do Fábio