Acho que a gente era mais feliz nos melhores anos. Quando digo melhores, quero dizer 70-80-90. Eu até poderia falar aqui da Teresina de hoje, com suas praças, seus shoppings, condomínios luxuosos, as pontes chiques das úrtima, os pontos turísticos e coisas afins, ou falar do futuro de uma Teresina metrópole. Mas não! Eu quero falar mesmo é da Teresina que vivi no passado.
TERESINANÇAS QUE NÃO VOLTAM MAIS!
A Teresina do passado é infinitamente melhor! Nela foi que alicercei meu presente de então e cravei balizas para o meu futuro, presente de agora. Vou lembrar das reminiscências da Teresina moça, até acanhada, mas sem mossas, sem calos. Lembrar de lugares, de pessoas e de fatos que marcaram, numa época Teresina e, para sempre, nossas vidas.
Era um tempo em que se podia dormir na varanda, sem precisar checar os cadeados. Se podia namorar nas praças! Os mais comedidos ficavam nos bancos, mas o pessoal mais ousado ficava era na grama. Olhe que um dia eu estava na grama com uma ficante, quando a namorada chegou. Praça Saraiva, já noite firmada, densa escuridão. Só ouvi foi meu nome: Júnior! Pense num som que me gelou a espinha! Nunca mais esqueci! Acabou-se o clima, tudo que eu queria era ir pra casa. E fui. Com a ficante. De ônibus! A outra não queria mais nem me olhar. Deu um trabalho pra me explicar! Agora vá hoje namorar no escuro da praça pra ver no que dá!

Então vamos divagar pelas lembranças boas da nossa capital. Eu poderia dizer que vamos fazer um tour pela Teresina mais antiga, mas vamos fazer mesmo é um diametral, como fazíamos um tempo desse aí, de ônibus, só pra ver Teresina toda. Essa viagem é grande e só quem for do babado fará a leitura toda.
Começamos na Av. Pedro Freitas, em frente à atual Strans. Ali, antes de 1983, quando inauguraram o Terminal Rodoviário Lucídio Portela, na BR-343, funcionava a Rodoviária de Teresina (se chamava Terminal Rodoviário da Lucaia). Descendo, rumo à Cepisa e, depois, ao Colégio Pro-Campus, chegamos no cruzamento da Av. Joaquim Ribeiro com a Rua Rui Barbosa. Ali tem uma depressão que era chamada de Baixa do Chicão e, logo ao lado, mais precisamente no cruzamento da Av. Barão de Gurgueia com a Rua Valdivino Tito, existiu a Fábrica do Guaraná Tufy.
Foi nessa fábrica que teve uma explosão uma vez, fazendo voar um troço de ferro que foi cair longe! Eu estudava ali perto, na época, no Colégio Paulo Ferraz, aí saiu aquele magote de menino pra olhar o troço. Diziam que era um pedaço do Skylab (estação espacial norte-americana que se destruiu no espaço em 1979).
Daí vamos pro centro. Mas vamos reto, pela Rua Rui Barbosa, que é pra gente aproveitar e passa no Bar Pacatuba. Ambiente aconchegante, música boa! Era ali próximo de onde hoje tem o Colégio Objetivo e a Casa dos Salgados. Descemos mais, passamos pela oficina do Marchão e chegamos na Praça Saraiva.
Lá está a Igreja das Dores. E olha do lado o Colégio Pedro II! Barão de Gurgueia morou aí. E olha, do outro lado, o Colégio Diocesano! Diz que se chama São Francisco de Sales. Na Praça Saraiva funcionava, alguns anos atrás, a Feirinha. Era todo domingo, à noitinha, depois da missa, com venda de produtos diversos, lanches e diversão à beça.
Mas bem antes, ainda, no meio da praça, tinha uma grande rótula central, onde era ponto de embarque e desembarque em ônibus que faziam linha para povoados e cidades do Estado. Era grande o movimento de passageiros por lá. A gente chamava de Agência.

Ali perto da praça, na Av. José dos Santos e Silva, um cheiro insuportável! Tinha lá uma galeria a céu aberto, conhecida como Barrocão. Então vale um banho no Rio Parnaíba, ou Velho Monge ou Punaré, como na música que o Alcântara gravou para o nosso maior rio nordestino. Rio que já foi navegável, com vapores transportando pessoas, rio com suas vazantes apetitosas, fartas plantações, as canoas a remo e vara, peixes graúdos e as coroas, que enchiam de gente quando o rio baixava bem.
Subindo o cais do rio, ao lado de onde foi a Churrascaria Beira Rio, eis os cabarés da Paissandu: Imperial! Fascinação! Estrela! Imperatriz!... tudo frequentado pela alta sociedade teresinense. É de lá a origem do caminhão das raparigas, que ainda hoje desfila no corso. Era a chance da madame, com suas funcionárias femininas, conviverem em sociedade. Mas havia outros ‘ambientes’ mais simples, como o Morro do Querosene, na zona sul, freqüentado por quem não tinha panca pra ir na Paissandu!
Saindo do baixo, ligeiro se chega na Praça Marechal Deodoro, a Praça da Bandeira como chamamos. Antes da inauguração do Zoobotânico, em 1973, na estrada de União, havia, na Praça da Bandeira, viveiros com animais de várias espécies. Era macaco, cobra, ave, felinos... A gente ia lá e ficava olhando os bichos era tempo!
Alguns metros depois da praça, por trás do Teatro de Arena, era a parada final dos ônibus coletivos. Tinha as empresas Coimbra, Manoel Morais, Gomes, Teresinense, São Francisco, Dois Irmãos,.. Ali mesmo, atravessando a Av. Maranhão, debaixo de um pé de Figueira, nasceu o Troca-Troca. Lá se vendia e trocava mercadorias a balde! Mas só troca do bem, não precisava a polícia ficar fazendo ronda, procurando bandido e ladrão de ocasião. Em 1985, a Prefeitura construiu lá uma cobertura, em abóbada, feita em cerâmica armada como está ainda hoje.
Ao lado de todo esse cenário está o Mercado Velho, que funcionava, também, no piso superior. Ainda hoje tem algum movimento na parte de cima. Dia desses, de manhã, tomei um café com cuscuz por lá. Na esquina de cima do mercado, na Rua João Cabral, tinha uma garapeira, com azulejos azuis (ou eram verdes?) e brancos, onde a gente tomava garapa de cana num copo americano, com pão massa fina, que era uma gostosura!
Depois do mercado, não sem antes passar pelo Museu do Piauí e pelo Supermercado São Gonçalo, chegamos a outra praça inesquecível de Teresina: a Rio Branco. Com seu velho relógio, o coreto, as bandas tocando à noite, as fontes luminosas, a Casa Marc Jacob, a Igreja do Amparo, por onde tudo começou (o prédio da igreja serviu de ponto de referência para o Conselheiro Saraiva fazer o traçado geométrico da cidade), o Banco Econômico, o Luxor Hotel do Piauí, a ceguinha sanfoneira com seu trio pé-de-serra, os engraxates e, sentados nos banquinhos de cimento, homens de cãs à procura de um xamego.

Ainda nos arredores da Rio Branco, ali pelas ruas Simplício Mendes, Coelho Rodrigues, Álvaro Mendes, Barroso...loja tinha de sobra. Diacuy Variedades, A Pérola, Charmen’s, Casas Juçara e Galerias Juçara, Lojas Honolulu, Ocapana, Lobrás, Casas Pernambucanas, Disco-Fitas, Casa Pinto e Casa das Rendas, Bela Aurora, King Jóia, Farmácia Drogajafre (com sua balançona que parecia um púlpito), Armazéns Piauí, Esplanada... e, pendendo pro lado da Praça Saraiva, a Farmácia de seu Bem (‘inda hoje tem), que até consulta fazia e a Casa Dota, com sua elegante arquitetura. Editaram a Casa Dota!
Credi-Sady, Café Batalhense, Mercearia Esperantina, Casa Inglesa, Dragão dos Tecidos, Vemosa, Casa Saló, Ciclipeças, Estádio Lindolfo Monteiro, Cadeia Pública, Liceu Piauiense, Casa do Estudante e as ruas Bela, Grande, da Palmeirinha, da Estrela e do Pequizeiro, onde tem o Palácio Pelicano. Todas são relíquias inestimáveis encontradas nas redondezas da Chapada do Corisco.
Uma voltinha e estamos na Praça João Luiz Ferreira, conhecida pelo prédio do INPS (ínpis), depois INAMPS, depois INSS. Lá se formavam grandes filas para ‘tirar número’ pra consulta médica. As pessoas dormiam lá pra garantir o lugar. Tinha gente que ia guardar vaga e descolar algum de manhã, quando o dono da vaga chegasse.
Se fosse acidente grave levava logo pro Pronto Socorro do HGV. Ambulâncias brancas, tipo veraneio, passavam, levando as pessoas, a sirene tinindo e a gente dizia: “vão levar pro balão de oxigênio”. Se a pessoa tivesse doença ‘que pega’ ia pro isolamento, ao lado do necrotério. Tinha um lugar melhor não? Já as emergências eram resolvidas no SAMDU, que ficava na Av. Frei Serafim, perto de onde já teve a Sorveteria Elefantinho e o Sorvetão. Deu um blackout por lá, ficaram só lembranças, como diz Bartô!
Nesse tempo a Polícia andava nuns fusquinhas de duas cores e numa kombi, apelidada de “Rita Pavone”. Eles também tinham uma sirene de doer nos ouvidos! Agora, quando o caldo era mais grosso, a polícia não vinha de Fusca nem de Kombi, mas de Veraneio! Era um tempo que delegados não precisavam virar políticos. Eles continuavam bons delegados!
Tinha desfile de carnaval na Frei Serafim. Escolas de samba, blocos de sujos, o corso, com veículos pintados a caráter, circulando pela cidade. Nem era preciso maquiar a realidade para se tornar, à força, o maior corso do mundo, pois tudo era manifestação nascida popular. Depois dos desfiles, a turma se concentrava no bar Gellati, para, mais tarde, cair na farra da noite nos clubes.
Descendo pela Frei Serafim, a Igreja de São Benedito e, já na Av. Antonino Freire, o Palácio de Karnak, o Colégio Abdias Neves (que virou estacionamento, ao lado dos Correios) e, enfim, a Praça Pedro II. A Av. Antonino Freire era um pouquinho mais comprida no passado e cortava a Pedro II, passando na frente do Cine Rex, próximo de onde existiram o Bar do Cuspe e o Carnaúba.

No meio da praça, o Coreto, os fotógrafos lambe-lambe, as moças passeando ao som da retreta da polícia e os rapazes sentados nos bancos, piscando o olho! As moças que passassem na parte mais escura da praça, pro lado do Quartel da Policia (Centro de Artesanato), ficavam mal faladas.
Bons tempos aqueles! A escola pública era boa! Liceu, Escola Técnica Federal, Escola Normal, Instituto de Educação, Álvaro Ferreira, Pedro II, Demóstenes Avelino, Mathias Olympio, São Francisco de Assis, Helvídio Nunes, Maria de Lourdes... Pra passar no vestibular se fazia prova de conhecimento em todas as áreas, num era só em duas não.
Agora chic era ouvir o nome no rádio e comprar a edição extra do jornal pra curiar os nomes de quem passou. Depois era soltar foguete e botar a vitrola pra tocar Pinduca.
Saudade dos rivengos, a maior peleja do futebol piauiense, entre River e Flamengo. O aperitivo do jogo era o Programa Um prego na Chuteira, com Garricha e sua equipe. A turma passando na rua, de bicicleta, de carro, a pé, de ônibus, carregando bandeiras imensas, rádio de pilha, travesseiro, apito e foguete. O Albertão e o Lindolfo Monteiro ficavam lotados. Além de River e Flamengo, havia o Auto Esporte (calhambeque), o Piauí (enxuga rato), o Tiradentes (amarelão da PM), o Botafogo, o Parnahyba, o Fluminense... Nesse tempo, no Albertão, era futebol do lado de dentro e kart do lado de fora! Emplacamento de carro tinha lá não!
Teresina foi brindada com jogadas de craques como Sima, Rui Lima, Cacá, Nivaldo, Israel, Zé do Braga, Décio Costa, Derivaldo, Bitonho, Augusto, Marins, Panzilão – um dos maiores canhões em cobranças de falta, Toreca, Sabará, Hélio Rocha, Catita, Demir, Vidal, os goleiros Teodoro, Hindemburgo, Duílio e Toinho e tantos outros jogadores que faziam valer as tardes de domingo e as noites de quarta-feira. Dá uma saudade!!
Música, comida boa, amores, romances, bebida e até confusão, mas sempre muita diversão! Histórias mil contadas pelos bares e churrascarias da cidade: Paulistano, Água na Boca, La Muralha, Ponte, Gaúcho, Pesqueirinho, Beira-Rio, Carnaúba, Veleiro, Nós e Elis, Paralelo 33, Chão de Estrelas, Acadêmico, Pacatuba, Matrinchan....! Ih, apareceu a Margarida!
Em recintos mais modestos se comia muita delícia caseira, feita a capricho. O peixe do VTS, na Rua João Cabral (região da Paissandu), o Lula (na Piçarra), o suco do seu Abrahão, o pastel da Maria Divina (comeu morreu na esquina), o Velha Guarda, o pão de queijo do seu Cornélio e, na 24 de Janeiro com a Olavo Bilac, o bar do Maury Mauá de Queiroz, como dizia o Zé Ignorantim, no programa de rádio com o Zé Povim. Ah, e as comidinhas irresistíveis da mulher que rima com Teresina, na música de Gilvan Santos: “deu meia-noite eu corri pro Mafuá, fui procurar dona Maria Tijubina, mas só o brilho dos teus olhos encontrei, eu viajei mas acabou-se a gasolina...”
Ainda em ritmo de música, boas lembranças ao som das danceterias e dos clubes. Moby Dick, Aquarius, Clube dos Cem, Cabos e Soldados, Valdemar Aloisio, Cine Teatro Francisco Alves, Jockey Clube, Oseas Santos, Flamengo, Marquês e um dos clubes mais populares da cidade, as Classes Produtoras, na Av. Jockey Club com a Av. Kennedy. Extra!! Extra!! Acabaram com as Classes!
Para animar as festas muitas bandas e cantores marcaram Teresina: Benbens da Paraíba, Os Geniais, Hermogenes Som Pop, Os seis maranhenses, Embalo Jovem, Sambrasa, Cariri e Seu Conjunto, Dragões Parada 5, Grupo Palmer, Os Metralhas, Paulinho e Seu Conjunto, Os Cartolas, Raimundo Soldado, Banda Ônix, Arquivo Musical, Os Brasinhas...
Programas de rádio inesquecíveis, como “Seu Gosto na Berlinda”, com o mítico Rock Moreira, onde o roteiro era feito pelo próprio ouvinte. E os avisos do interior, onde se ouvia: “o Antõi Bogó avisa pra Reisinha que já fez os exames e está passando bem. Avisa, ainda, que seguirá hoje pela empresa Barroso e pede que vá esperá-lo na cancela, levando animal selado. Quem ouvir este aviso favor transmitir ao destinatário”. Ariosvaldo Alencar foi um dos nomes que deu voz a esse programa.

“Correspondente Pioneira”, apresentado pelo jornalista Deoclécio Dantas, foi outro ícone do rádio. Era normal, no rádio AM, o locutor interagir com o sonoplasta que controlava a mesa de som na hora do programa. Deoclécio, ao falar sobre algum assunto, de desfecho não muito desejável, expressando indignação, olhava para Chico Paulo, o sonoplasta e dizia: “É uma lástima, Chico Paulo!”, daí o famoso jargão.
Outros nomes do rádio, à época, foram Eudes Pereira, José Costa, B. Assis, Ari Sherlok, José Lopes dos Santos, Al Lebre, Maurício José, Carlos Dias, Chico Figueiredo, Weyden Cunha, Carlos Augusto, Dídimo de Castro, Fernando Mendes, Zé Nunes, entre outros.
Religiosos, educadores e políticos que marcaram Teresina, como os professores Sena, Domício Magalhães, Cordão, Castelo, Atualpa Amorim, que fazia comício em cima duma cadeira, o hilário Coronel Jofre, que chegou a ser prefeito, Totó Barbosa, que era fotógrafo, seresteiro e parlamentar, Dom Avelar Brandão Vilela, Monsenhor Chaves, padre Carvalho, padre Florêncio e o padre Raimundo José (com seu programa de rádio “Medita Cidade”).
Personagens marcados pela excentricidade, como Nicinha, com sua maquiagem destacada e o corpo cheio de adereços, desfilando no carnaval e no sete de setembro; o arrotador, com sua coceira crônica nos órgãos genitais; a porca ruiva, que jogava pedra; o bibelô, que não mexia com ninguém; o espiga, que dependia da ocasião e o Chico Doido, sempre de mau-humor.
Era massa demais os vendedores informais, no meio da rua, divertindo a população. Tinha o vendedor de quebra-queixo, que embrulhava a guloseima num papel branco duro, tipo A4; o picolezeiro (Amazonas) com a caixa nos ombros, branca, de isopor, com uma tira de elástico na tampa; o cuscuz ideal, quentinho, com coco; o leiteiro, que a gente já levava o depósito no ponto dele encher; o vendedor que, com caras e bocas, berrava “quem vai comprar maguary?”, o flau geladiiiim; o vendedor de alho com as tranças do produto enroladas no pescoço, gritando “olha o alho”; o garrafeiro e seu pregão de venda diária; o pirulito, na tábua cheia de furos e o algodão doce, feito na hora, que o vendedor nem saía de cima da bicicleta.
As quitandas vendiam chiclete ploc (que nunca mais fizeram com sabor igual), mariola, zorro, bombom embaré e bolachas a granel, que ficavam numas latas. A gente comprava um pão e o quitandeiro entregava num papel de embrulho que, às vezes, nem abarcava direito. Na Padaria Santa Teresinha (Roldão), na Praça Landri Sales (do Liceu) e numa padaria que ficava na Rua Riachuelo, em frente ao Mercado Velho, eles amarravam o embrulho de pães com uns cordões finos de algodão, em cruz. Bonito era ver a puxada e o rasgado do papel !
Se comprava café e açúcar de quarta de quilo (250g), num embrulho feito na hora, que ficava todo frisadim. A gente tomava Crush (depois usava o vidro pra fazer conserva de pimenta), Mirinda, Grapete (quem bebe grapete, repete grapete...) ou ainda o guaraná Tufy e o Brahma, com umas enrusgas em relevo no vidro.
Depois veio o Guaraná Simba. Aí é que fez sucesso. Em aniversário era Simba com bolo, nas obras os peões toravam Simba com pão! Ainda tinha o arroto no final. Chega saía água dos olhos!

Pra desopilar, um filme sempre pegou bem! Cine Royal, Cine Rex, e Cine São Raimundo (o “baganinha”), na Piçarra. Depois apareceu o Ballon Center, na Av. Pedro Almeida, no bairro São Cristóvão e, mais tarde, os cinemas dos shoppings. Era massa ir nas tertúlias, regadas a bate-bate, ponche, cuba libre, hi-fi e outros birinaites. As radiolas telefunken tocando Pholhas, Renato e seus Blue Caps, Reginaldo Rossi, Tina Charles e Grupo Abba até altas horas...
E se podia voltar para casa sem perigo de ser assaltado. Nesse tempo até havia crimes: carteiro Elzano, doméstica Maria das Mercês, chacina do Posto King, Helder Feitosa, Abraão Gomes... mas as pessoas não viam como banalidades, causava terror na cidade. Acontecia um crime, a cidade toda ficava abalada. Hoje, as pessoas veem os crimes e nem pixite!
É! aquele tempo era até mais difícil, mas a presença das pessoas era algo que fazia tão bem! Naquele tempo existia mais solidariedade, mais diálogo, mais reflexão! Havia menos egoísmo, menos intolerância. Nos tempos automatizados de hoje a tolerância tá bem curtinha e as pessoas, de tão próximas de tudo, ficaram tão longe de todos. O ser tem perdido espaço para o ter e o gosto pela simplicidade diminuiu de valor.
Teresina, você evoluiu muito, progrediu, ficou até mais bonita; mas eu sinto uma saudade tão grande da outra cidade, a de três, quatro décadas atrás! Aquela cidade, levaram de mim, mas você não teve culpa! Eu gosto e é muito d'ocê! Gosto de seu povo, de suas construções, seus shoppings, dos arranha-céus, da indústria, do comércio, dos rios, das avenidas, das praças, das ruas, até das vielas...tudo em você eu gosto, apesar de tudo!
É que eu sou um romântico saudosista por demais e essas teresinanças todas de que falei, nunca me sairão da cabeça! Nunca! Aí eu falo mermo!
Por Ananias Júnior formado em Música e Jornalismo; Pesquisador das histórias de Teresina





Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar