
Quando se casou com o francês Jean Le Lonnés, Isaura, nascida Martins de Lemos Brasil, morou por alguns anos em Parnaíba, sua terra natal, cidade bucólica da época, por volta dos anos 1932. Depois veio residir em Teresina, onde movimentou socialmente e filantropicamente a cidade por muitos anos. Hoje aos 84 anos, Isaura permanece uma das grandes expressões do Piauí.
>> Essa matéria foi originalmente publicada dia 30 de abril de 1989 no caderno social Classe A do jornal Diário do Povo sob editoria do jornalista Fábio Teles
POR FÁBIO TELES

CLASSE A: Muito já se escreveu sobre sua vida social. Gostaria que falasse agora sobre outros tempos, os Anos Dourados, em que conheceu seu marido Jean. Como tudo aconteceu?
ISAURA: Conheci Jean num baile em Parnaíba. Ele trabalhava numa companhia de compra de peles crocodilos e lagartos. Ele sempre desejou conhecer o Brasil. Então numa reunião realizada em Paris com membros de sua empresa – Casa Marc Jacob, ele foi designado a residir no Piauí. Ele veio num navio francês que aportou em Luís Correia.
CLASSE A: Ele continuou a trabalhar com essa empresa em Teresina?
ISAURA: Com o tempo ele foi se desprendendo e ficou como gerente da Casa Marc Jacob – como um de seus acionistas.
CLASSE A: Nessa época o casal já morava na casa da Frei Serafim?
ISAURA: Não. Passamos por outras casas e ruas em Teresina. Nossa primeira moradia foi na Rua São José (hoje Félix Pacheco), e após longo tempo viemos para a Frei Serafim. Onde continuo até hoje com longos 45 anos de residência.
CLASSE A: Sei que foram diversas festas, acontecidas em sua mansão. Seria difícil citar nomes de figurões que passaram por sua residência?
ISAURA: Foram meus hóspedes Adhemar de Barros, Eduardo Gomes, Leonidas de Castro Melo, Procópio Ferreira, Vera Fischer e Yeda Vargas,
CLASSE A: Durante esse tempo já existiam colunas sociais?
ISAURA: Não haviam colunas nem colunistas. Mas em pouco tempo surgiu Josias Clarence que liderou a sociedade com uma coluna e programa de rádio. Depois vieram outros talentos.
CLASSE A: Cite algumas mulheres elegantes da época de 1960. Havia lista de elegantes?
ISAURA: As elegantes eram citadas apenas nos bailes onde frequentavam, por ocasião de sorteios, dos vestidos mais belos premiados, tendo como palco o Clube dos Diários. Eram bem vestidas – Auristeia Martins, Anita Gayoso, Ozita Oliveira, Adail Area Leao e Sulikinha Vasconcelos.
CLASSE A: E quanto aos casais da linha de frente?
ISAURA: Eram bem badalados os casais Sotero Vaz da Silveira e Carmosina, Alberto Paz e Zulmira, João de Freitas Resende e Themis, Alberto Paz e Constância.
CLASSE A: Além do Clube dos Diários qual outro salão de festas da época em Teresina?
ISAURA: Era o Palácio de Karnak, na época do governador Matias Olímpio, que promovia os “Garden-parties”, onde em clima de confraternização, as mulheres compareciam bem vestidas e luxuosas, com chapéus e luvas, trazidos do Rio, São Paulo e até do exterior.
CLASSE A: Isaura e Jean eram presenças constantes nos melhores eventos. E sua mansão na Frei Serafim era cenário de bailes?
ISAURA: Claro que sim. Vivíamos em constantes festas, éramos bons anfitriões e abrigamos diversas solenidades do Rotary, Casa da Amizade e reuniões particulares.
CLASSE A: Seu hobby se constituía em oferecer festas?
ISAURA: Não somente isto. Meu hobby principal era viajar e colecionar joias. Em seguida passei a colaborar com as misses que iam participar do concurso Miss Brasil. Apoiava as misses e dava incentivos de palavras, boas maneiras, etiqueta e até colaborações para confecção de vestidos.
CLASSE A: Cite alguns nomes de misses que passaram pelas suas mãos.
ISAURA: Muitas usaram modelos de vestidos costurados por mim e minha equipe, pois no tempo tive senhoras costureiras do mais alto gabarito. Foram elas: Lívia carneiro, Vera Zorina, Teresinha Alcântara, Dayse Boavista, Graça Mota, Consolação Teixeira e Regina França.
CLASSE A: Filhos?
ISAURA: Apenas adotivos, pois nunca tive filhos. E foram muitos que criei a exemplo de Ana Maria Luisa Le Lonnes, Maria Luisa Franklin Costa e Mário Franklin de Lima.
CLASSE A: Se considera colunável ainda hoje?
ISAURA: Não. Apenas tenho a certeza que sempre estou nas colunas modernas, como forma de gratidão e respeito que sempre tive e dediquei a todos os colunistas sociais da terra, sem excetuar nenhum. O motivo é muito simples: tenho uma história bonita e por isto acho que sou merecedora do carinho e apoio de todos vocês.



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