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Morre a artista piauiense Anna Miranda

Uma das célebres artistas do estado do Piauí que será sempre lembrada na história da arte e da cultura

 O adeus para Anna Miranda

Anna Miranda nos deixa hoje.

Jornalista formada na Puc - Rio, escritora, poeta, cantora, compositora, contadora de histórias.

Foi um nome da música piauiense que esteve engajada em diversos projetos culturais, dona do muitas amizades, cantou e encantou em inúmeros projetos musicais e casas noturnas.

Anna Miranda lutou bravamente contra um câncer nos últimos anos. 

 

Nosso abraço de pesar a todos os seus familiares.

 

ANNA MIRANDA é escritora, cronista, compositora, poeta, contadora de histórias e cantora. É formada em Comunicação Social pela PUC/RJ. Escreve desde os doze anos. Começou com a crônica e a prosa, inspirada no cronista Rubem Braga. Lendo Carlos Drummond de Andrade, resolveu também enveredar pela poesia. No período acadêmico fez parte do grupo de editores da Revista Poetagem, onde publicou verso e prosa. Foi gerente do Projeto Torquato Neto, da Secretaria de Educação do Piauí, onde foi gravado o disco coletivo Cantares. Atuou, ainda, como Coordenadora de Editoração da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, em Teresina/PI, onde era publicada a revista Cadernos de Teresina e livros de vários autores piauienses. Depois de um longo tempo cantando e fazendo shows, em 2019 voltou à poesia, participando da coleção Anima II, o que lhe possibilitou o contato com uma extensa rede de poetas. A partir de 2020 passou a publicar poemas inspirados em imagens, nas páginas do Facebook. Seus textos também passaram a ser interpretados pelo ator e dramaturgo Antônio Cunha, no canal do YouTube.     

                                                                     

Em consequência dessas divulgações, foi convidada por Artur Gomes para uma entrevista no site de Poesia Falada, onde também foram publicados seus poemas. 

Participação em antologias e/ou coletâneas: Coletânea Anima II (org. Daniela Pace Devisate, 2018); Antologia de Escritoras Piauisenses - século XIX à contemporaneidade (org. Marleide Lins, Algemira Mendes e Olívia Rocha); Antologia Escrituras da Menarca (Selo Hecatombe, Editora Urutau/2021). 

Livros publicados: Prova de Fogo (poesia, prefácio de Leila Miccolis, lançamento no I Festival das Mulheres nas Artes, em São Paulo/SP, 1982); A tartaruga de sete cidades (livro infantil).

Discos: Álbum Tropicálido, lançado em 2000,  quase todo autoral, com letras e músicas próprias, contendo ainda 2 poemas, por ela musicados, dos escritores simbolistas Da Costa e Silva (A Moenda) e Cruz e Sousa (Siderações). 

Shows: Fez vários shows no Rio de Janeiro (Sala FUNARTE Sidney Miller, com Sueli Costa, e com o maestro Paulo Moura, no Circo Voador). Com o show Palpite Feliz, cantou em tributo a Noel Rosa, em Teresina/PI, no Theatro 4 de Setembro (Projeto Seis e Meia, em 1992), no qual ganhou o prêmio de melhor intérprete do ano.

 

POEMA FÚNEBRE (POR ANNA MIRANDA)

Preciso deixar que essas mortes morram, já que foram tantas

Mas eu as agarro pelo colarinho, tentando revivê-las

Sacudindo as máscaras bizarras das mortes, quero recriá-las, iludi-las, amá-las até a exaustão

Por acaso quero viver de mortes morridas, sem meu consentimento? 

 

Não permiti que morressem! 

Usei a camaradagem da morbidez disfarçada.

 

Eu as agarro de novo e digo: Morram!

Elas me agarram, dizendo: Não vamos morrer! 

Sabem que falo da boca para fora, como são espertas!

Translúcidas, serenas, em seu odor fúnebre

Em seu riso fétido

Em seu bolor verde de pão dormido em sacos de padaria.

 

Por acaso quero viver de mortes morridas? 

Me faço essa pergunta a cada instante

Sabendo que vivo de mortes - mas não dessas mortes!

Sabendo que vivo de vidas - mas não dessas vidas!

 

O motivo de insistir em manter essas mortes é desconhecido? 

Ou é insidiosamente familiar? 

Guardei as mortes no armário arrebentado do porão, como troféus de glórias 

Coroei as mortes com flores silvestres de um campo minado

Enfeitei as mortes com guirlandas e sobras da árvore de Natal: 

As mortes gritam e choram e tiram sarro da minha cara

Preciso deixar que derretam como cera de vela

O que sobrar sou eu!!

Sim! Eu mesma!

E isso é simplesmente assustador.

Por: Fonte: Carla Ramos

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